Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

BOLO DO NATAL

Belarmino Mariano Neto
Estava com cara de leso na fila do caixa do supermercado em plena antevéspera do Natal de 2006. Obervei que os carrinhos estavam abarrotados de mercadorias para a ceia natalina e em meio ao barulho apelativo das propagandas e o nítido stress de alguns clientes, tive a impressão que o ovo do mundo estava gorado e a neurose da era digital impedia que uma nebulosa de gema galáctica se misturasse com as claras dos ovos que havia comprado. Entre outras mercadorias, aqueles ovos eram para o bolo do Natal.
Só gosto de fazer bolos para ocasiões especiais, pois suja muito a cozinha e o alimento pela sua delícia termina consumido rapidamente. Já passava das nove horas da noite do dia 23 de dezembro, quando resolvi iniciar o ritual preparatório para a arte-culinária de um bolo. Os ingredientes estavam todos na cozinha e os utensílios domésticos arrumados para a preparação do bolo.
A receita caseira previa farinha de trigo, suco de laranja, açúcar, pedaços de chocolate em barra, óleo de milho, fermento em pó, um pitada de sal e ovos de galinha. Três ovos era a medida exata para uma tradicional receita que nunca falhava. Era um bolo simples e para uma família de três, que gostava de passar o natal em casa mesmo, sem muitos alaridos e excesso de bebida da parentada.
Os ovos levavam uma larga vantagem em relação aos outros ingredientes, pois estavam em uma caixa com uma dúzia. Na receita havia todo um ritual para separar as claras das gemas. À clara deveria ser batida até formar “flocos de neve” branquinha como aquela neve do natal europeu. Depois seria misturada com a gema e também batida, transformando-se em uma neve amarelada, não tão flocada com a clara neve.
Quando comecei a quebrar os ovos na quina da pia para separar a clara da gema, fui sentido que os ovos, um a um, estavam estragados. O primeiro ovo estava com uma nesga avermelhada em sua gelatina celular; o segundo já gorado apresentava um vácuo de ar em seu interior e expandia um desagradável odor de putrefação, liberado pela pequena fenda quebrada em sua casca. E, um atrás do outro estavam amaldiçoadamente podres. De uma caixa com doze e já na quebra do sétimo ovo, percebi que o estrago estava feito. Nessa altura do ritual e com a quebra do oitavo e nono ovos também estragados, o universo bolesco não conspirava para uma mistura equilibrada com os outros ingredientes. O caos estava instalado na cozinha fedida, um odor de ovo podre quebrava a mística natalina.
Na altura dos acontecimentos, ainda restavam três ovos a serem quebrados, e num angustiante e desesperador ato de criar, a noção do todo agora precisava ser relativaizada nos três ovos restantes. Parecia até um destino traçado, uma mística da numerologia que envolvia o nascimento da vida humana. Os nove ovos estragados comprometiam aquela gestação e os três ovos misticamente traçavam a vida de um bolo natalino, doze meses de um ano e na pior das hipóteses os três ovos restantes poderiam estragar aquele natal. Naquele momento restava uma nesga de pensamento intuindo que naquela caixa de ovos estragava-se o esperado festejo natalino.
Uma tensão ainda maior tomou conta da cozinha, o mau cheiro de ovo podre retorcia ainda mais as molas do batedor manual de ovos, até aquele momento sem função. Uma interrogação tomou conta daquele ambiente. O que estava acontecendo? Ovo estragado em uma bandeja era algo normal, sempre acontecia com um ou com outro, mas naquela seqüência lógica, era algo desesperador.
Mas, enfrentado a realidade dos fatos, a decisão era ir até o fim, quebrar os três restantes ovos, pois talvez estivesse ali uma mensagem natalina de que nem tudo estava perdido. Assim foi feito e para surpresa geral os três últimos ovos estavam gorados. Um ar de não saber o que fazer me jogou diante da lei da entropia e me atrofiou o sentido odorífico daquela podridão infecta. Já passava da meia noite e aquela maluca cosmogonia de putrefação em série, espalhava-se das pontas dos dedos, passando pelas cartilagens nasais, até atingir o juízo.
Quase sem saídas, o jeito foi me resignar e fazer a limpeza da cozinha. Depois tomei um banho de cabeça, com água morna, sal grosso e vinagre, queimei nove incensos de sândalos que restava em meu oratório, abri a internet no www.google.com.br encontrei uma receita Hare Krisna de bolo sem ovo que salvou meu natal.
Conto inspirado em GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes. São Paulo: Companhia de bolso, 2006 (Tradução de Maria Betânia Amoroso).
publicado por olharesgeograficos às 23:52
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Domingo, 10 de Dezembro de 2006

NO CÉU DA SUA BOCA SANGRAVA UMA LUA MORTA

Belarmino Mariano Neto (belogeo@yahoo.com.br)
 
Veio de longe, de uma distância sem tamanho. Eram pancadas estridentes e caninas que rasgavam o escuro como farpas que espichavam os contornos da escuridão. Em meio ao breu cintilavam pancadas de um metal brilhante e cortante que em fino e amolado fio, espatifava os corpos da fria madrugada.
Do longo e distanciado som da escuridão, ouvia-se o casco dos cavalos, contra as rochas dos penhascos encobertos pelo véu da noite. A lua estava morrendo e costurava uma fina e torta mancha de luz que não encontrava caminhos e perdia-se na escuridão.
A fina e arqueada boca de luz era a restante lua que se desfazia nas trevas. O manto escuro do céu havia engolido os restos de luz e aos pouco ia desaparecendo do mapa celeste como prenúncio de que uma batalha sangrenta escorria pelo fio das espadas em punho.
Suor e sangue derramado eram o que restava de uma geografia miserável. Corpos de batalha agora sem vida, amontoavam-se uns contra os outros, enquanto o sangue era bebido pela terra como se fosse o vinho tinto dos homens. Uma bebida amarga escorria para as entranhas da escuridão e embebia o silêncio venoso dos combalidos.
As farpas metálicas já estavam espalhadas pelas encostas e entre alaridos e urros assustadores, feras ruidosas se aproximavam da carnificina humana. Eram os lobos que agora se fartavam de um signal banquete de sangue e carne fresca. Corpos dilacerados, pedaços de gente se misturavam com pedaços de tecidos ensangüentados.
Fortalecendo a idéia de que o homem é o lobo do homem, os lobos tratavam de rasgar ainda mais as entranhas humanas. Eram animais famintos cuidando das carnes ainda quentes da batalha. Feras tão humanamente selvagens que travavam os dentes uns contra os outros como se as pancadas maxilares dos caninos ferozes acordassem o silêncio dos mortos.
Da boca entreaberta de um cadáver, sangrava uma lua morta. Era um reflexo de rasgo da lua que entrava pela sua língua morta. Aquela língua latina havia morrido naquela hora. Não mais falava de complexos arranjos do universo lingüístico. No céu da sua boca sangrava uma lua morta. A fala e o falo agora estavam mortos.
A lua no céu da sua boca era apenas um reflexo da saliva humana que se misturava ao sangue e, em uma baba gelatinosa espreitava os vermes e a putrefação carnívora da calma da alma e da alegria. Quase nada mais restava de vida, nem de riscos tortos da lua que entrava em alfa e o pesadelo estava apenas começando.
 
João Pessoa, 09 de dezembro de 2006.
publicado por olharesgeograficos às 04:21
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Manifesto caleidoscópico da paixão poética pelo nada

MANIFESTO
CALEIDOSCÓPICO
DA PAIXÃO
POÉTICA
PELO NADA
|Belarmino Mariano Neto|.
 
Ontologia louca de amor
baile de máscaras
persona leve.
Sentimentos de imagens
miradas no mistério
das palavras,
símbolos enigmáticos
luz e sombra
que espalham os
cristais de sonho.
Vitral ígneo de brilho
energético, místico sentimento
vazio iluminador
sentido em momentos
sequenciados do pensar.
Te ver do alto, um voar
de homem-pássaro
com um coração feminino
louco de amar
as cores da calma
alimento interior
inteiro, integral amor.]
[O tempo é você
que se espalha em chamas
e ardente(mente)
cria expectativas para o NADA.
O importante não é
o tempo que passa
em sequenciados acontecimentos,
mas a construção
que edificamos nesse
abstrato passar.
Os homens tecem
suas teias e
formam um telhado
de arranha(céus) que
arranha(mente) e
mentirosamente
os tornam viúvos de
uma paixão que
na trama se constrói,
olhares que cobiçam
e culminam com palavras;
atos que se desatam
em complicada cumplicidade
onde os atores
são autores
da autodestruição
construtiva
alucinada(mente)
perdida no espaço
de um tempo
ESFÍNGICO.]
[Rápida sorrateira
explode uma
história nova
e solta.
Tua contradição
alimenta uma paixão titânica
e dilaceradora em
todos os sentidos,
um apocalíptico alfa do
gradativo vitral
NADESCO.
Possuir as forças do fogo, chama,
faísca em brasa
a se apagar.
Não apague dos
caleidoscópios
o impossível de ser vivo
soterrando
o equilíbrio ponto de
mutação entre
paixão e contração
para o amor.]
[Sonolenta
cambaleia a noite,
encontrar nos erros
a fraqueza das tramas
do amarrotado amanhecer
que não silencia as trevas
que queimam a luz
queimam também os segundos
desavessos dos destinos
labirintos e complicações
da (mente).
Sem força
sem raízes
secos e arrastados
pelo vento
sonhos que
desafiam o desconhecido
mundo dos metais.]
[Espada de fio fundido
para dilacerar
a alma, a calma e a alegria.
Paixão louca que bate à porta
na própria cara
quebrando o vitral
de sonhos.
Reconstruir em prismas
os segredos dos fragmentados
e coloridos cacos,
que vitrificados cristalizam
um conjunto de formas
e possibilidades
do estranho encanto,
quebrado por tua moleque
pedrada de mulher,
transparente e cristalizada
em todos os pontos
de uma rede de pensamentos
e desatinos.]
[O amor é um menino que
inocente e puro
vai se construindo
passo a passo mas,
se no descompasso
e tropeços lhes fere,
ferindo-lhe cria-se
uma chave para
outras portas que
podem enfeitiçar
o escuro que chama
a luz e aprisiona no
labirinto dos cristais,
não poder passar
teus medos do experimentar
e mentir ser incapaz de
agir diante do escuro.]
[Esculpirei em minhas
entranhas o inesgotável
te amar
e no escalar dos dias
o sol será um testemunho
vivo de tal sede.
Platônica(mente)
esculpir no diamante
será dinamitar
ao invés de lapidar
superficial(mente)
o que vem das
profundezas ígneas,
forças magmáticas
de um vulcão que explode
por não se contentar com
o silêncio de um amor
de fogo.]
[Mistérios do desconhecido
olhar que alucina.
alucinado exilo-me
em teus olhos,
e ser livre é estar preso
nos corredores de teu ser.
Paixão de louco que
abre espaço para o pensar,
latejante e pulsante
momento que a vista
alcança e concretiza-se
no cabelo que cresce,
desejos ardentes e faiscantes
do simples olhar
e fluir de uma aromática
essência de mulher,
chorar e se cortar por dentro
sangrar um avermelhado momento,
saltar de um sonho e cair em uma
realidade sem sentido.
Violentar a mente a procurar
caminhos, saídas, trilhas
e espaços incendiados
pela fogueira do NADA.]
[Desatinada busca
alucinada espera
cortante alimento
bruto do pensar,
desejar ao extremo
desconstruir a destruição
na construção de uma miragem;
filhos do estupro
aborto do medo
homens,
violação patriarcal do divino
violência matriarcal
em estar vivo,
morte calada que
rebusca nas cinzas
a poeira cósmica da noite
onde esconde agora o sono
que não permite
a embriaguez
dos sonhos.]
[Todos os pensamentos
que a lucidez consegue
roubar da mente
são uma loucura,
viajar no imaginário
de teu ser e poder
penetrar na seda fina
do atômico momento
de sábio amor.
NADA(R) em demasiado
sendeiro e no escuro da luz
nada encontrar.
De tanto te pensar
são tantos os espaços
que até o vazio se desespera,
é grande a noite
resumida a uma madrugada
parece uma nevasca eterna
cortante e laminar frio,
cordilheiro e colérico
grande deserto
em teimosa ventania,
lutar em favor do sonho
mas a invasora insônia
vencendo-me, fada-me
ao cansaço.]
[A paixão
menina traquina
que brinca com fogo
se queima
e não deixa de
jogar para o alto
as brasas
como se fossem bolas
de cristais estampas
num sorriso misterioso
de mulher
fada
feiticeira,
construção de
um homem de Cristal (T).
Leveza nas coisas
amar de graça
violação das regras
onde cresce a liberdade.]
[Os caleidoscópios
como garrafas de vinho vazias
representam os devaneios
humanos,
a morte das uvas
e o nascimento de sonhos
que embebidos pelo
doce/amargo/seco/suave
trazem na sua idade
o sabor de uma vida presa,
engarrafada, enfrascadora
de energias que
em estado líquido
tinto, branco ou rosê
pode derramar-se
sobre o corpo, a alma,
a calma e alegria
por libertar-se, ser vinho,
rio correndo pelo pensar
dos que se tornam
vinho em suas
fantasias fermentadas.]
[Viajantes da mente
cintilantes metais
carregados pelo vento.
Cosmos, infinito ser
coberto pela poeira do tempo
escondido no coração
do humano-animal equivocado
que tenta sobreviver em faísca,
ser caverna,
vazio abismático de minha
micro-mínima-atomicidade.
NADA
em destinada
carreira para a morte
que o esfumaçar da vida
fantasia e permite em
revolução invisível
pontuando mutações.]
[No dia dos teus olhos
luz é utopia produzida
nos cristais do grande e
sagrado vitral vida.
Primeiro passo
para construção
do homem solar
energicamente etérico.
Morada da morte
único combustível
que alimenta a vida,
fim do trabalho e
início da Arte
expressão infantil
dos libertários.]
[Quando ocupei
o útero de Gaia
ainda não era homem
mas apenas sonho.
Os Deuses já eram meninos imortais
e os "homens Deuses mortais".
A terra gerou do sêmen solar
a luz da vida que germina
em suas entranhas fecundas.
Primeiro um pó de luz
se espalhou pelos recantos
dos infinitos e imaginários
olhos de mulher.
Fogo ígneo leve brilho
de mulher que chora,
grita, e sorrindo
cria nas profundezas
do ser os cristais
para o novo
e desprendido movimento
do nascer galáctico:
o filho de uma nova idade.]
[O brilho, a luz, a sombra e
a leveza cintilante dos metais
que o vento consegue
levar da mente.
Amor gratuito,
incerteza mais certa que
para o coração
é mesmo que nada
e nada é bastante,
cor da Anarquia corada
pela Utopia.]
[Por todos os espaços
luz é chama que
em clarão reluz e
chama coração
amor que arde no
palpitar das pequenas coisas.
Espalhafato de emoções
que explode alegria
de sonhos para o amanhecer,
raios cósmicos
a faiscar desejos de
amar o mar a terra e o ar.
Loucura fina,
fio de navalha
cortante sentimento
a penetrar tuas entranhas
de mulher cristal
em todas as cores e
posições de um sonho.]
[Leve, livre, suave
cabelo ao vento
caminhar descalço
asas da paixão
voar de pássaro.
Brasa incolor, manga rosa,
milho verde (mel)ancia.
Desejo e prazer em se
deliciar o alimento eterno
amar com mais amar,
amar sem fim
água de beber d’vagar
viajar cavalaresco a
transpor montanhas
sussurrando em teus ouvidos
castelos encantados.]
[Deitar, "dormir"
um sorriso estampado,
encolhido, acobertado.
Fazer-se amor
massagear
murmurar
cheirar teu cheiro de
alecrin-do-campo
sentir n’alma o frenesi
(re)velado
nos esconderijos
desse amar clandestino.
Silêncio, contemplação
nua dos Deuses,
toque mágico de mulher
seda, morim, cetim,
tintas e cores tecidas
no multicolorido
amar incolor.
Amar de pescaria
olho d’água, amar de mar
música suave , cantilena
que (en)venta a tarde
manhã e madrugada.]
(Este material foi publicado pelo SESC/PB,
Em 1996. No formato ArteXerox.)

publicado por olharesgeograficos às 21:06
link do post | comentar | favorito
|

lamentus

Lamentum

Lamentos, tecido de sentimentos.

Belarmino Mariano Neto.

 

Expressão de dor, lamentação. Canção triste com choro e prantos. Queixume prolongado e entremeado de gemidos e gritos exprimindo grande pesar. Canto forte e prolongado com desgosto lamento. Ritual oral do sofrimento. Canto fúnebre elegia. Lamentações. Alarida, alarido, clamor, gemido, lamento, lamúria, lástima, pranto, suspiro. Chorar com mágoa interminável, que importuna e que a nada leva. Lamentação aos mortos, aos loucos, aos medos, a solidão e ao amor perdido, partido, esgarçado em seu tecido de sentimentos.

Teus olhos desaguam em meu peito um mar de lagrima, dores escorrem pelo vazio dos teus olhos diluidos em nuvens fratctais.

Aboio choroso em lombo de cavalo, tangendo um gado em pensares nos amores proibidos, desejados, banidos do coração e exilados no território dos recantos e pés de serras do pensamento.

publicado por olharesgeograficos às 20:42
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. MORTES VINDAS DA ÁFRICA

. Geografia e banalidade do...

. Morte Espetacular  

. GEOGRAFIA CULTURAL E DA P...

. Espelhos refletidos de um...

. Resenha sobre Perdido de ...

. extremo

. aqui

. estampido

. SONHEI QUE ERA ZÉ MULAMBO

.arquivos

. Setembro 2015

. Março 2015

. Dezembro 2014

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Dezembro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Julho 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Maio 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds