Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Manifesto caleidoscópico da paixão poética pelo nada

MANIFESTO
CALEIDOSCÓPICO
DA PAIXÃO
POÉTICA
PELO NADA
|Belarmino Mariano Neto|.
 
Ontologia louca de amor
baile de máscaras
persona leve.
Sentimentos de imagens
miradas no mistério
das palavras,
símbolos enigmáticos
luz e sombra
que espalham os
cristais de sonho.
Vitral ígneo de brilho
energético, místico sentimento
vazio iluminador
sentido em momentos
sequenciados do pensar.
Te ver do alto, um voar
de homem-pássaro
com um coração feminino
louco de amar
as cores da calma
alimento interior
inteiro, integral amor.]
[O tempo é você
que se espalha em chamas
e ardente(mente)
cria expectativas para o NADA.
O importante não é
o tempo que passa
em sequenciados acontecimentos,
mas a construção
que edificamos nesse
abstrato passar.
Os homens tecem
suas teias e
formam um telhado
de arranha(céus) que
arranha(mente) e
mentirosamente
os tornam viúvos de
uma paixão que
na trama se constrói,
olhares que cobiçam
e culminam com palavras;
atos que se desatam
em complicada cumplicidade
onde os atores
são autores
da autodestruição
construtiva
alucinada(mente)
perdida no espaço
de um tempo
ESFÍNGICO.]
[Rápida sorrateira
explode uma
história nova
e solta.
Tua contradição
alimenta uma paixão titânica
e dilaceradora em
todos os sentidos,
um apocalíptico alfa do
gradativo vitral
NADESCO.
Possuir as forças do fogo, chama,
faísca em brasa
a se apagar.
Não apague dos
caleidoscópios
o impossível de ser vivo
soterrando
o equilíbrio ponto de
mutação entre
paixão e contração
para o amor.]
[Sonolenta
cambaleia a noite,
encontrar nos erros
a fraqueza das tramas
do amarrotado amanhecer
que não silencia as trevas
que queimam a luz
queimam também os segundos
desavessos dos destinos
labirintos e complicações
da (mente).
Sem força
sem raízes
secos e arrastados
pelo vento
sonhos que
desafiam o desconhecido
mundo dos metais.]
[Espada de fio fundido
para dilacerar
a alma, a calma e a alegria.
Paixão louca que bate à porta
na própria cara
quebrando o vitral
de sonhos.
Reconstruir em prismas
os segredos dos fragmentados
e coloridos cacos,
que vitrificados cristalizam
um conjunto de formas
e possibilidades
do estranho encanto,
quebrado por tua moleque
pedrada de mulher,
transparente e cristalizada
em todos os pontos
de uma rede de pensamentos
e desatinos.]
[O amor é um menino que
inocente e puro
vai se construindo
passo a passo mas,
se no descompasso
e tropeços lhes fere,
ferindo-lhe cria-se
uma chave para
outras portas que
podem enfeitiçar
o escuro que chama
a luz e aprisiona no
labirinto dos cristais,
não poder passar
teus medos do experimentar
e mentir ser incapaz de
agir diante do escuro.]
[Esculpirei em minhas
entranhas o inesgotável
te amar
e no escalar dos dias
o sol será um testemunho
vivo de tal sede.
Platônica(mente)
esculpir no diamante
será dinamitar
ao invés de lapidar
superficial(mente)
o que vem das
profundezas ígneas,
forças magmáticas
de um vulcão que explode
por não se contentar com
o silêncio de um amor
de fogo.]
[Mistérios do desconhecido
olhar que alucina.
alucinado exilo-me
em teus olhos,
e ser livre é estar preso
nos corredores de teu ser.
Paixão de louco que
abre espaço para o pensar,
latejante e pulsante
momento que a vista
alcança e concretiza-se
no cabelo que cresce,
desejos ardentes e faiscantes
do simples olhar
e fluir de uma aromática
essência de mulher,
chorar e se cortar por dentro
sangrar um avermelhado momento,
saltar de um sonho e cair em uma
realidade sem sentido.
Violentar a mente a procurar
caminhos, saídas, trilhas
e espaços incendiados
pela fogueira do NADA.]
[Desatinada busca
alucinada espera
cortante alimento
bruto do pensar,
desejar ao extremo
desconstruir a destruição
na construção de uma miragem;
filhos do estupro
aborto do medo
homens,
violação patriarcal do divino
violência matriarcal
em estar vivo,
morte calada que
rebusca nas cinzas
a poeira cósmica da noite
onde esconde agora o sono
que não permite
a embriaguez
dos sonhos.]
[Todos os pensamentos
que a lucidez consegue
roubar da mente
são uma loucura,
viajar no imaginário
de teu ser e poder
penetrar na seda fina
do atômico momento
de sábio amor.
NADA(R) em demasiado
sendeiro e no escuro da luz
nada encontrar.
De tanto te pensar
são tantos os espaços
que até o vazio se desespera,
é grande a noite
resumida a uma madrugada
parece uma nevasca eterna
cortante e laminar frio,
cordilheiro e colérico
grande deserto
em teimosa ventania,
lutar em favor do sonho
mas a invasora insônia
vencendo-me, fada-me
ao cansaço.]
[A paixão
menina traquina
que brinca com fogo
se queima
e não deixa de
jogar para o alto
as brasas
como se fossem bolas
de cristais estampas
num sorriso misterioso
de mulher
fada
feiticeira,
construção de
um homem de Cristal (T).
Leveza nas coisas
amar de graça
violação das regras
onde cresce a liberdade.]
[Os caleidoscópios
como garrafas de vinho vazias
representam os devaneios
humanos,
a morte das uvas
e o nascimento de sonhos
que embebidos pelo
doce/amargo/seco/suave
trazem na sua idade
o sabor de uma vida presa,
engarrafada, enfrascadora
de energias que
em estado líquido
tinto, branco ou rosê
pode derramar-se
sobre o corpo, a alma,
a calma e alegria
por libertar-se, ser vinho,
rio correndo pelo pensar
dos que se tornam
vinho em suas
fantasias fermentadas.]
[Viajantes da mente
cintilantes metais
carregados pelo vento.
Cosmos, infinito ser
coberto pela poeira do tempo
escondido no coração
do humano-animal equivocado
que tenta sobreviver em faísca,
ser caverna,
vazio abismático de minha
micro-mínima-atomicidade.
NADA
em destinada
carreira para a morte
que o esfumaçar da vida
fantasia e permite em
revolução invisível
pontuando mutações.]
[No dia dos teus olhos
luz é utopia produzida
nos cristais do grande e
sagrado vitral vida.
Primeiro passo
para construção
do homem solar
energicamente etérico.
Morada da morte
único combustível
que alimenta a vida,
fim do trabalho e
início da Arte
expressão infantil
dos libertários.]
[Quando ocupei
o útero de Gaia
ainda não era homem
mas apenas sonho.
Os Deuses já eram meninos imortais
e os "homens Deuses mortais".
A terra gerou do sêmen solar
a luz da vida que germina
em suas entranhas fecundas.
Primeiro um pó de luz
se espalhou pelos recantos
dos infinitos e imaginários
olhos de mulher.
Fogo ígneo leve brilho
de mulher que chora,
grita, e sorrindo
cria nas profundezas
do ser os cristais
para o novo
e desprendido movimento
do nascer galáctico:
o filho de uma nova idade.]
[O brilho, a luz, a sombra e
a leveza cintilante dos metais
que o vento consegue
levar da mente.
Amor gratuito,
incerteza mais certa que
para o coração
é mesmo que nada
e nada é bastante,
cor da Anarquia corada
pela Utopia.]
[Por todos os espaços
luz é chama que
em clarão reluz e
chama coração
amor que arde no
palpitar das pequenas coisas.
Espalhafato de emoções
que explode alegria
de sonhos para o amanhecer,
raios cósmicos
a faiscar desejos de
amar o mar a terra e o ar.
Loucura fina,
fio de navalha
cortante sentimento
a penetrar tuas entranhas
de mulher cristal
em todas as cores e
posições de um sonho.]
[Leve, livre, suave
cabelo ao vento
caminhar descalço
asas da paixão
voar de pássaro.
Brasa incolor, manga rosa,
milho verde (mel)ancia.
Desejo e prazer em se
deliciar o alimento eterno
amar com mais amar,
amar sem fim
água de beber d’vagar
viajar cavalaresco a
transpor montanhas
sussurrando em teus ouvidos
castelos encantados.]
[Deitar, "dormir"
um sorriso estampado,
encolhido, acobertado.
Fazer-se amor
massagear
murmurar
cheirar teu cheiro de
alecrin-do-campo
sentir n’alma o frenesi
(re)velado
nos esconderijos
desse amar clandestino.
Silêncio, contemplação
nua dos Deuses,
toque mágico de mulher
seda, morim, cetim,
tintas e cores tecidas
no multicolorido
amar incolor.
Amar de pescaria
olho d’água, amar de mar
música suave , cantilena
que (en)venta a tarde
manhã e madrugada.]
(Este material foi publicado pelo SESC/PB,
Em 1996. No formato ArteXerox.)

publicado por olharesgeograficos às 21:06
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