Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

LACTEUS OCCASUS

Belarmino Mariano Neto, belogeo@yahoo.com.br
Na sociedade em ruínas, a qualidade de vida foi substituída pela quantidade e mais de sete bilhões de seres humanos disputam espaço de poder no qual a crueldade é vista com naturalidade por quase todos. Existe uma gigantesca corporação de carnívoros que aprisiona, abate e comercializa a carne dos vegetarianos em rituais de manutenção da espécie humana.
Fruto dessa tirania e carnificina, os filhos da espécie vegetariana são gerados por inseminação artificial e ao nascer, separados de suas mães e aprisionados em pequenos cubículos, perdem o completo contato materno. O direito ao aleitamento direto do peito é cruelmente negado e estes filhos, violentamente separados das suas mães são amamentados artificialmente com o leite de outras lactantes para que haja uma quebra dos vínculos afetivos e emocionais e o sentimento de maternidade seja totalmente destruído.
Os filhos são criados distantes do contato com a luz natural e em celas extremamente apertadas, num ambiente com baixíssima luminosidade, pouca aeração e redutores de ruídos. Uma rigorosa dieta apenas de leite, acrescida de hormônios de crescimento, antibióticos e vacinas é medicada para que não adoeçam e cresçam mais rápido que o natural.
Existe um metódico e artificial controle na definição sexual dos nascidos e as filhas seguem o mesmo destino das mães que vivem acorrentadas pelo pescoço e em idade adulta, serão usurpadas dos seus direitos naturais maternos de criar os filhos. Elas são obrigadas pela cruel corporação carnivora dos mercadores de cadáveres a gerar filhos para alimentar o sistema dominante.
O leite não pode ser consumido diretamente pelos filhos apartados e fica comprimido nos peitos enrijecidos das lactantes. Para ser extraído, acionam um equipamento eletromagnético de alta resolução que suga o leite para ser servido na dieta dos filhos nascidos de outras mães. Este mecanismo de extração do leite é violento, cruel e desumano, provocando profunda dor, gemidos e momentânea paralisia neurológica das mães acorrentadas em seus pequenos espaços de confinamento.
O recém-nascido é aprisionado individualmente pelos pés, braços e pescoço e passa quase todo o tempo paralisado de qualquer movimento. Para mantê-lo constantemente acordado e se alimentando, os carrascos aplicam choques elétricos em suas nádegas. A dieta estabelecida não permite a adição de água nem de sólidos e como é basicamente do leite, torna-se rica em cálcio e extremamente pobre em ferro, atrelado à completa ausência de luz natural, deixa estes seres vivos completamente anêmicos.
O corpo destes animais é obeso e de musculatura frágil. Com um miserável e curto tempo de vida que se resume há quatro meses, sem a oportunidade de ver um pôr-do-sol, estes filhotes são abatidos ainda bezerros e transformados em vitela, “carne bovina branca” servida nos mais caros e requintados restaurantes espalhados pelo mundo.
Aos anarquistas do FARPA - Coletivo Anarquista de João Pessoa que lutam por uma alimentação sem crueldade...
Escrito a partir do filme documentário: A carne é fraca produzido pelo Instituto Nina Rosa <www.institutoninarosa.org.br>
publicado por olharesgeograficos às 13:18
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