Sábado, 6 de Setembro de 2008

SONHEI QUE ERA ZÉ MULAMBO

 

Era madrugada do dia 05 de setembro de 2008, quando acordei assustado, pois enquanto dormia no umbral do Banco Real, havia sonhado com imagens que pareciam reais. Aqui no Piemonte da Borborema, na Serra da Jurema, via como se fosse uma verdade absoluta, diante dos meus olhos um gigantesco pé de laranja comum, daquelas com muitas sementes e sabor incomum, pois misturava o doce e o azedo para vitaminar a vida.
Era como se eu estivesse sobrevoando o pé de laranjeira, e era tão grande que contrastava com o cruzeiro da “Via Sacra” que leva os romeiros e turistas aos pés de “Frei Damião”. A laranjeira estava carregada com muitos frutos maduros, incontáveis escorriam pelos galhos pesados daquela árvore frondosa e verde que majestava um ar sagrado em seu entorno.
Diante dos meus olhos podia ver aproximando-se do local, uma verdadeira cavalaria de tropeiros com seus cavalos, burros e jumentos, todos com um par de caçuá em seus lombos. Os homens eram uma mistura de jovens e velhos e todos estavam vestidos como se fossem cavaleiros medievais em dia de festa. Os trajes tinham a cor predominante um tecido em tons de ouro, com fitas de seda alaranjadas escorrendo dos seus chapéus de couro cravejados de figuras brilhantes do sol, da lua e das estrelas.
Incontáveis, parecia uma romaria de homens em cavalgada solene, todos desciam a serra, mas vinham dos caminhos e veredas da serra, como se saíssem de sítios misteriosos e formassem uma espécie de cavalaria templária a restituir ou regenerar o mundo em sua volta, pois havia em seus rostos uma plenitude essencial.
Eles paravam os animais, abarrotavam cada caçuá com laranjas e depois desciam a serra da jurema em direção ao centro de Guarabira. Mesmo sendo madrugada, a claridade da manhã e o trotar dos animais despertava os habitantes da cidade, que observavam maravilhados de suas janelas e sacadas, aquela signal marcha cavalaresca.
Quando chegavam à frente da Catedral de Nossa Senhora da Luz, derramavam as laranjas do caçuá e deixavam aquelas esferas maduras rolarem pelo adro da igreja. Esse ambiente era livre de praças e o chão era de terra batida. Na medida em que as laranjas desciam a pequena sinuosidade do terreno, espalhavam-se pelas ruas, ruelas e becos do entorno, formando um verdadeiro rio de frutas maduras.
Do alto das minhas asas percebi que meus molambos sujos e rasgados rodopiavam no ar, meu corpo sujo e feridento era o indicio de que estava apenas sonhando ser o enigmático e desaparecido ZÉ MULAMBO.
 
publicado por olharesgeograficos às 19:53
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